Problemas das ciclovias, na prática

Aqui está um bom vídeo, mostrando as poucas vantagens e os preocupantes problemas das ciclovias:

Comentários

para o irritado

Ó meu, houve aqui um problema de comunicação: nem eu e penso que nem o companheiro que escreveu antes de mim temos medo de andar de bicicleta fora das ciclovias. Apenas estamos a falar nas estruturas de mobilidade urbana e nos riscos, físicos ou psicológicos, que podem implicar para um ciclista.

Ando de bicicleta todos os dias, sem excepção, e pela cidade de Lisboa toda; dentro e fora das ciclovias; na rede viária de bairro e nas artérias principais; em hora de ponta, fora da hora de ponta, à noite e de madrugada. Mas não estou aqui para falar de mim e das minhas capacidades nem puxar pelos galões. Se eu e muito mais gente o faz sem quaisquer problemas, não se pode dizer a uma criança de 10 ou 12 anos para ir e voltar da escola todos os dias no meio de centenas de carros, sabendo na quantidade de monos que conduzem de forma quase homicida.

Se queres ser contra as ciclovias, arranja um discurso coerente em vez da generalização patega e do discurso das "16 válvulas na cabeça".

Novo meio de transporte?! A

Novo meio de transporte?! A bicicleta foi inventada antes do carro, tem mais de 200 anos.

Apesar de fazerem um esforço para a mudança, verifica-se nestes dois comentários o pensamento dominante: têm 16 válvulas no lugar do cérebro. Por um lado são incapazes de admitir que a bicicleta seja mais um meio de transporte. Para eles, a bicicleta deve ser colocada em cima do carro e vamos de carro até uma ciclovia para poder andar de bicicleta. Porque a bicicleta só pode circular na ciclovia, claro. Ou então decidem participar numa prova radical, onde mostram a sua habilidade no meio do mato. É curioso como estes radicais têm tanto medo de pedalar na cidade!

Por outro lado, a sua falta de coragem cívica pretende convencer os outros que é impossível ou muito perigoso andar de bicicleta no meio do tráfego geral. Do género "se eu não sou capaz, ninguém mais consegue fazer". Ora eu pedalo há mais de duas décadas em Lisboa. No centro da cidade, onde felizmente ainda não há dessas ciclovias da treta a estorvar o ciclista. E há outros que o fazem há mais tempo. E já pedalei várias vezes no Porto. E sempre tive mais receio de conduzir automóvel em qualquer destas cidades do que em pedalar.

Se as pessoas fossem mesmo coerentes com essa ideia de ser perigoso pedalar nas cidades, então ninguém tinha carro. Perigoso mesmo é ter um volante nas mãos, pois de carro morrem aos milhares todos os anos.

 

Concordo. Sempre tive medo de

Concordo. Sempre tive medo de me meter a andar de bicicleta em Lisboa antes de fazerem a rede de ciclovias. E atenção que o que aparece no vídeo são faixas cicláveis e não ciclovias. As primeiras encontram-se no mesmo espaço físico que os carros e, não havendo barreiras físicas de separação, implicam a redução da velocidade automóvel até um máximo de 30 km/h.

A questão é que neste vídeo as faixas cicláveis foram obviamente mal planeadas. 

No entanto, aceito que as ciclovias como as de Lisboa têm algumas desvantagens: são mais caras que as faixas cicláveis; os peões ocupam-nas frequentemente, assim como os carros estacionados; por vezes, estão interrompidas de maneira incoerente. Em relação aos comportamentos, acho que é uma questão de tempo até os hábitos de automobilistas, peões e ciclistas começarem a harmonizar-se. Mas haverá sempre problemas.

Quando a bicicleta foi introduzida em massa em Paris, aconteceram muitos acidentes, até toda a gente se habituar à coexistência com um novo modo de transporte (incluindo ciclistas).

Um caso flagrante é muitas vezes não haver suficiente respeito da parte dos participantes da massa crítica em relação aos peões que querem atravessar na passadeira.

No entanto, esta discussão será sempre benvinda.

Bem hajam

ciclovias ou não

Acho um pouco utópico que, numa sociedade de selvagens ao volante, se diga que o mais seguro é ter as bicicletas e os peões no meio dos carros. 

Gostaria de ver a típica senhora no SUV, que não sabe o código de estrada e não respeita nem a simples instrução de "não estacionar" marcada a amarelo no pavimento, a circular tranquilamente a 30 km/h e a dar passagem a quem anda por lá sem ser de carro.

Um exemplo prático que ilustra o perigo dos carros no meio das pessoas: na minha rua, uma suposta 30Km/h, onde automóvel devem coexisitr com as pessoas (não há passeios), ao fim da tarde entra tudo de carro a abrir pondo em perigo as muitas crianças que anda sempre por lá a brincar.

Já por várias vezes ia sendo atropelado ao sair da porta do prédio, ou a abrir a garagem para guardar a bicicleta. Estamos a falar de um sítio onde só circulam moradores e onde supostamente, uma potencial vítima é sempre ou um vizinho, ou alguém da própria família - ver aqui o local: http://goo.gl/maps/JGxz.

Numa outra situação, ia sendo atropleado por um carro em marcha atrás numa zona em que os automóveis só entram para estacionar ilegalmente (Travessa de Cedofeita). Curiosidade: estava encostado ao passeio, a ver uma montra.

Na minha opinião, as ciclovias só são mais perigosas do que a estrada em países em que esta não é perigosa. Esta discussão é excelente para países civilizados, em que o automobilista está habituado a respeitar o peão e o ciclista, ou seja, em que já estão num nível muito superior ao nosso. Por cá, sinceramente, não vejo como poderiam as ciclovias serem substituídas por algo mais seguro, de forma massiva pelas maiores cidades. Acredito sim, que poderão existir zonas em que isso aconteça, mas que a generalidade do tráfego ciclista, principalmente de acesso aos Centros, seja feito por ciclovia.

No Porto, onde só há uma ciclovia (ridícula por sinal), adoraria que houvessem mais, especialmente para o acesso ao Centro em hora de ponta. Uma vez aí, passo bem sem elas.

http://1penoporto.wordpress.com