o blogue de mariojalves

Os capacetes e a ética

Ontem estive a ler um debate no excelente blog do John Adams. Para quem não o conheça, é um professor que nos anos 70 e 60 lutou contra a obrigatoriedade do uso do cinto de segurança e foi considerado um excêntrico perigoso. O argumento é que as vidas poupadas nos automóveis corresponderiam a um aumento de peões e ciclistas mortos - e demonstrou nos anos seguintes que foi de facto o que aconteceu. Estas estatísticas foram sempre negadas e ignoradas pelos técnicos de segurança rodoviária - por curiosidade um dos grandes promotores do cinto de segurança foi o Robert McNamara (Secretario de estado da Defesa Americano durante a guerra do Vietname) quando trabalhava para a General Motors.

Bicicletas em Amesterdão

(82 fotografias de bicicletas tiradas em 73 minutos, em Amesterdão)
http://www.ski-epic.com/amsterdam_bicycles/

Este conjunto de imagens e comentários convidam à reflexão. Recentemente tive a oportunidade de debater em público a questão da obrigatoriedade dos capacetes para ciclistas. Sempre a mesma ratoeira. Ao olhar para estas fotografias, parece-me óbvio que temos sempre duas hipóteses para aumentar a segurança dos mais vulneráveis: a) colocar a responsabilidade de protecção nos mais fracos, obrigando-os a usar capacetes ou negando-lhes a possibilidade de usar em plenitude as ruas que lhes deviam pertencer; b) reduzindo o número e a velocidade dos automóveis. O primeiro tipo de intenções, apesar de na maior parte das vezes bem intencionadas, continuará a espiral absurda de olhar para o problema pelo paradigma estafado que nos fez chegar até aqui. O segundo caminho, mais difícil, implica visão, participação, concertação, liderança.
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