Percurso nocturno em Aveiro

Ontem (sexta-feira) filmei um percurso nocturno que fiz em Aveiro. Parti da estação da CP, passei no fórum comercial e acabei perto do Glicínias onde fui apanhar os autocolantes "Agradecemos por não conduzir...".

E o vídeo:

Por sorte que não via aquele ciclista a ser atropelado! Mas a culpa foi dele, que não deveria estar naquela faixa da rotunda... e ainda por cima ele encostou-se sempre demasiado ao passeio, ficando menos visível e não mostrou a intenção dele - é coisa que eu tento sempre evitar.
Ainda por cima o ciclista ia sem luzes!

Como podem ver pela minha condução, eu tento sempre andar bem visível e por vezes quando os carros estão a andar devagar, coloco-me mesmo no lado esquerdo da faixa, pois às vezes decidem parar ou virar para a direita sem sinalizar... o que se torna muito perigoso para nós ciclistas.

A minha bicicleta actual é uma fixie, sem travões, sem mudanças e sem roda livre, pelo que é muito silenciosa. Ao longo do vídeo só me conseguem ouvir a respirar (ou então conseguem ouvir os pneus na estrada ou o meu pedalar).

Comentários

Quando os carros surgiram as

Quando os carros surgiram as pessoas não estavam habituadas a eles nem à sua "estonteante" velocidade e, visto utilizarem boa parte da rua em comunhão c veículos de tracção animal (basta ver filmes da época), os carros tinham de apitar e fazer razias para conseguir passar e foi uma época com atropelamentos surpresa. Aliás, pode-se dizer que forçaram a aquisição do seu espaço de modo algo violento e pouco harmonioso.

No caso que descrevi na minha rua o ciclista vem em rota "suicida" na curva, por isso tive mesmo de parar e fazer-lhe sinal e ficámos numa posição em que eu lhe estava a fazer uma razia, ou seja, quase não havia espaço para ele passar.

Não faço a minha rua em contra-mão mas outras que têm pouco trãnsito e que se justifica para cortar caminho, pois parece-me que uma das razões do trãnsito ser caótico deriva do facto de algumas ruas passarem a ter apenas um sentido e outras terem sentidos obrigatórios pelo que temos de andar ás voltas...de carro, a engrossar bichas, mas de bicicleta em que a energia nos sai das perninhas vamos é pelo mais perto que é como tem lógica.

Deviam era pensar nestas questões. Acho q p ex em Aveiro houve ultimamente modificações no trânsito q vieram piorar e realmente a Moveaveiro anda superocupada a passar multas, n falham uma.

Sim, as pessoas têm medo de andar na estrada, é isso que ouço, então usam o passeio. Eu acho que não dá jeito nenhum andar nos passeios, mesmo q fosse permitido. Essas pessoas com medo deviam era ir à Bicicletada para conhecer pessoal e ter companhia para saber andar na estrada! :-)

(...) diria que os ciclistas

(...) diria que os ciclistas que vês no passeio a sacar cavalos têm medo de se pôr na estrada -- o que é compreensível nesta configuração estrada-passeio. e, se fosse de carro e viesse um ciclista em direcção contrária, não o apertaria; pararia o carro, mesmo.

Acho o mesmo, ou são miúdos com medo de andar na estrada ou idosos também com o mesmo medo. Ou até seja lá qual for a idade. Creio que o problema é mesmo o receio.

E eu cá costumo fazer sentidos contrários, especialmente nos "meus" locais - que conheço, onde passo todos os dias. Mas é preciso cuidado... embora hajam bons vídeos na net de pessoal a explicar certas situações a evitar, como este: Tutorial sobre como passar em segurança nos semáforos vermelhos.

E acho também que os carros é que devem andar mais devagar e também andarem menos!
Cá em Aveiro está a começar a acontecer uma situação engraçada, andam muitos fiscais a ver os paquímetros e é muito difícil estancionar (nos locais pagos) sem pagar e não levar multa :-) -- as pessoas têm agora que adicionar mais um custo quando se deslocam de carro para o centro da cidade :-)

de imprudência

viva, Ana, acho que focaste um ponto essencial nestas discussões -- a imprudência. ainda hoje conversava com uns amigos, automobilistas, e eles dizem que os peóes às vezes "atiram-se" para cima dos carros. Eu, peão, digo que os carros é que se atiram para cima das pessoas. bom acho q não vale a pena ir mais longe e admitir, de uma vez por todas, que somos todos humanos -- que erramos, que somos imprudentes, que abusamos; que apesar disso não temos tendências suicidas ou homicidas nos actos do dia-a-dia; e que gostaríamos de nos vermos respeitados; e que devemos, por isso, começar é por respeitar os outros -- sejamos peões, ciclistas, automobilistas. bom, é neste ponto que está a diferença. é que se por um lado todos partilhamos o mesmo espaço, então todos precisamos de regras. as regras deveriam ser, se construidas numa base de justiça, directamente proporcionais ao modo como nos deslocamos. se o faço de carro, acho perfeitamente natural estar cingido a regras muito mais apertadas (devido à sinistralidade, poluição, etc) do que se for de bike, que por sua vez deve estar cingida a regras mais apertadas do que os peões. e eu pergunto-me -- se vivessemos num dado local e numa dada época, e se de repente aparecessem bicicletas e carros, teríamos a configuração passeio-estrada que existe hoje em dia? à luz deste conceito de justiça, não iríamos chegar antes a uma zona comum? não serímos mais humildes e perceber que o automóvel é perigoso, e por isso, ele é que merece ser "aprisionado", e não prender as pessoas aos passeios?

 

falando por mim, que ando a pé e de bicileta, e já andei muito de carro, diria que os ciclistas que vês no passeio a sacar cavalos têm medo de se pôr na estrada -- o que é compreensível nesta configuração estrada-passeio. e, se fosse de carro e viesse um ciclista em direcção contrária, não o apertaria; pararia o carro, mesmo.

 

de resto, creio que chegará o dia (como já chegou por exemplo a amesterdão) em que todos vão poder interligar-se e fluir na rede urbana sem grandes conflitos. mas esse dia só se concretizará quando nos questionarmos da validade deste paradigma, e quando todo o automobilista for também ciclista e peão.

 

até,

Eu também gosto muito dos

Eu também gosto muito dos videos e daqui a uns bons anos poderemos ver as diferenças na cidade, é como um documento histórico! Já tenho dito ao Jorge que é mesmo boa ideia filmar mais da cidade. Acho q a perspectiva de ser filmado da altura de um guiador de uma bicicleta dá um ângulo interessante e a velocidade é adequada.

Também podia ser engraçado acoplar a máquina fotográfica e escolher o modo de disparo sequencial para obter fotos de percursos e locais tipo Banda Desenhada.

Também me parece útil para filmar passeios e corridas de bicicleta.

(E então, não há encomendas de peças para acoplar a máquina ao guiador para o rapaz? ;-)

Quanto à situação filmada que podia resultar num acidente, é vulgar também acontecer entre carros, já me aconteceu. Não sei bem o que diz o código, segundo a Ana, mas quem vai virar vai na faixa de fora e quem vai prosseguir deve ir na de dentro, para além de se dever usar luzes, é claro, e praticar condução defensiva. Não percebo porque riscaste parte da tua opinião, Jorge, eu continuo a achar que o que fez o ciclista foi imprudente. Ainda hoje entrou um sr de bicicleta em sentido proibido na minha rua, quase se enfaixando contra mim na curva (eu ia de carro), e nem se deu ao trabalho de ver se podia "fazer com segurança" aquela infracção. Eu dei-lhe um apertão, aliás nem tinha praticamente oportunidade de fazer outra coisa, e fiz-lhe sinal que não podia, acho que é para o bem dele. Há dias os meus pais quase foram abalroados por um miúdo a andar em grande velocidade no passeio na rua do Museu de Sta Joana aqui em Aveiro, é típico fazerem cavalinhos nessa rua e cada vez me ponho mais à frente desses e outros q fazem o mesmo sem justificação. Haja educação e bom senso. Destroem o q outros tentam construir.

Aí no Porto deves mesmo

Aí no Porto deves mesmo precisar das mudanças ;-) -- e também dos travões para as descidas ;-)

isso da bike não ter luzinhas pode ser considerado imprudente, mas raios parta, as luzes do automóvel servem para quê?

Já tinha comentado anteriormente que a minha câmara não é muito sensível à luz, e a verdade é que estava bem mais claro do que o que vê nessa parte do vídeo... o ciclista estava bem visível.

Mas ainda assim, não gosto nada de ver os ciclistas sem luzes! A maior parte não anda, pelo menos aqui em Aveiro... e a maior parte aqui em Aveiro anda de bicicleta por necessidade, segundo me parece... e nem com travões às vezes andam, quanto mais com as luzes...!!

A conduzir carro já apanhei grandes sustos, com ciclistas a atravessarem a estrada à frente do carro e eu sem hipótese sequer de ter abrandado ou reagido, porque só os via quando estava mesmo em cima deles :-(

Creio que os ciclistas que andam sem luzes na estrada, criam um grande perigo para todos os que nela circulam.

ceguetas, é o que eles são!

viva,

a filmagem tá altamente. andar de roda fixa em aveiro é em princípio mais fácil do que fazê-lo no porto, mas ainda assim prefiro sempre a flexibilidade das mudanças!..

quanto à atitude do condutor do automóvel é bem comum. qdo atravesso rotundas não há cá cedências simpáticas para automobilistas. ocupo a faixa do interior sempre que justificável. seja como for, quem vai a conduzir o carro é-lhe exigível toda a atenção. isso da bike não ter luzinhas pode ser considerado imprudente, mas raios parta, as luzes do automóvel servem para quê? também não andam os carros em estradas sem iluminação pública nenhuma? não servem as luzes para iluminar todos os que circulam à sua frente e arredores? ou a luz é selectiva e apaga-se perante um ciclista?

das duas vezes que fui "ameaçado" por um automobilista e consegui apanhá-lo, já reparei que dão a desculpa "ah, mas no código de estrada é não sei quê", ao que eu lhes pergunto "sim?, e no código do respeito e bom senso?" desse código parece que os automobilistas nunca ouviram falar..

cumps,

Ficaste com o contacto do sr. que foi abalroado?

Talvez fosse importante para ele utilizar o teu vídeo quer em relação aos seguros quer até em tribunal...

Na verdade ele não foi abalroado...mas poderia ter sido! E nesse caso a gravação vídeo podia ser importante... ;)

Pois sinto a curiosidade de

Pois sinto a curiosidade de testar, o Porto não parece ser a cidade mais simpática para uma fixie ou mesmo singlespeed, mas a malta tb anda nelas em São Francisco, portanto... why not?

Sou capaz é de montar a roda num cubo flip-flop... assim posso ter roda livre de um dos lados (caso não me dê com a fixed, passa a ser uma single speed).

É projecto para ir fazendo durante o inverno...

Abraço,

Sérgio

Pois, mas para a câmara não

Pois, mas para a câmara não ser "enganada" pelas luzes tinhas de fazer uma medição de luz neutra e deixa a câmara a gravar com exposição manual correndo o risco de noutras partes ficar mal... Eu gostei!

Exactamente na primeira vez que filmei, coloquei no modo manual que é o meu favorito :-) -- não gostei assim muito do resultado, por isso coloquei agora no automático.

Podes ver aqui e aqui os outros 2 primeiros vídeos.

Que fixe, uma pessoa determinada a andar numa fixie aí no Porto :-) -- devem haver partes mais complicadas, mas também devem haver aí zonas muito boas para se andar de fixie :-)

Só te posso dizer que tenho gostado muito, é muito diferente mas também muito interessante :-) Aqui em Aveiro ainda sou o único mas em breve o Tiago terá a dele pronta... tem estado a mandar vir as peças do estranjeiro.

Não sei se já leste a história da minha fixie :-)

Boa sorte :-)

Pois, mas para a câmara não

Pois, mas para a câmara não ser "enganada" pelas luzes tinhas de fazer uma medição de luz neutra e deixa a câmara a gravar com exposição manual correndo o risco de noutras partes ficar mal... Eu gostei!

A câmara que eu tenho é uma action camera de usar no capacete, mas é muito limitada e impossível de utilizar com pouca luz. Em contrapartida é à prova de água e lama ;)

Já tenho quadro para a minha fixie... agora é uma questão de arranjar rodas e mais umas coisitas....

Abraço,

Sérgio

Ainda tenho de explorar mais

Ainda tenho de explorar mais estas filmagens, por exemplo, colocar a câmara junto ao centro da roda da frente, na forqueta.

A câmara foi das mais baratas na altura, e comprei-a usada ainda no Ebay. É uma Panasonic SDR-S7. É a minha primeira que utiliza um cartão de memória em vez de cassete :-)

A câmara não é muito sensível à luz... e nesse vídeo eu conseguia ver bem melhor do que o que a câmara registou. Além disso, há uma parte do vídeo em que vou numa pista que tem umas luzes no chão, parece que vou a passar numa pista de aterragem... na realidade não vi nada assim, só no vídeo vejo essas luzes(ou reflectores) :-)

Podes ver aqui mais fotos da câmara e do suporte que fiz :-)

Esquecendo um pouco o

Esquecendo um pouco o episódio menos bom, a filmagem ficou muito porreira... posso perguntar-te que câmara utilizaste? De noite é sempre mais complicado filmar com esta qualidade :)

Abraço,

Sérgio

Ok, obrigado.Já alterei o

Ok, obrigado.

Já alterei o minha mensgem inicial.

As vias mais interiores das

As vias mais interiores das rotundas servem o mesmo propósito que num troço recto equivalente: para ultrapassar, basicamente. Se a rotunda é pequena, torna-se mais simples mantermo-nos à direita, apesar de muitas vezes estas rotundas terem mais que uma via. De carro podemos usar as vias interiores para ultrapassar, mas temos que nos chegar para a da direita imediatamente antes da saída que queremos tomar.

Então mas se ele fosse num

Então mas se ele fosse num carro em vez de ir na bicicleta, deveria ter entrado na rotunda e ir logo para a faixa mais à esquerda, visto que iria sair a segunda saída? É isso? -- e nós ciclistas somos obrigados a ir sempre pela faixa da direita?

E se reparares na rotunda seguinte, eu vou mesmo para a faixa esquerda (mesmo que não hajam mais veículos perto de mim) porque já me vi numa situação como a daquele ciclista, exactamente nessa segunda rotunda - por isso fujo dessa faixa à direita...

É debatível, mas penso que

É debatível, mas penso que pelo nosso CE, os ciclistas têm que se manter na via mais à direita. Ainda mais numa rotunda, onde seja qual for a direcção que se pretenda tomar, a saída é sempre para a direita. O ciclista agiu bem do ponto de vista legal, mas pode não ter salvaguardado a sua segurança da melhor forma (contudo vejo que ele estava a olhar para quem vinha atrás / ao lado, e sinalizou a sua intenção de continuar, pelo que tem consciência do perigo).

Mas aquele ciclista não

Mas aquele ciclista não cometeu nenhuma ilegalidade, o motorista sim, saiu da rotunda a partir de uma via interior e não da via mais à direita, como manda a lei e o bom senso.

Ok, realmente o motorista foi sempre em frente, "não fez a rotunda". Mas o ciclista não deveria ter ido pela faixa mais central na rotunda visto que ia sair numa saída seguinte?

Andar à noite sem luzes ão é

Andar à noite sem luzes ão é nada inteligente, não. Mas aquele ciclista não cometeu nenhuma ilegalidade, o motorista sim, saiu da rotunda a partir de uma via interior e não da via mais à direita, como manda a lei e o bom senso. Este é um caso ilustrativo da importância de saber não só a lei como o funcionamento efectivo do trânsito. É comum os motoristas fazerem as rotundas assim, provocando acidentes com frequência, o que é bastante mais significativo quando quem é abalroado não está dentro de uma caixa metálica... Aveiro tem corredores para bicicletas em rotundas que colocam os ciclistas justamente nessa posição perigosa, o que diz muito da qualidade da infraestrutura para bicicletas local...